25-10-2021
Infelizmente, muitos Católicos não
conhecem a verdadeira história do preterismo, que por sinal, nasceu dentro do
Catolicismo para combater justamente a perseguição protestante. Durante o
século XVI, ocorreram várias rebeliões na Europa, as principais foram: Lutero e Calvino.
Não demorou muito para esses rebelados usarem o livro do apocalipse contra a
Santa Igreja Católica. Resultado: Esses rebelados criaram o embuste de que, o
Santo Padre era o anticristo e a Santa Igreja era a grande meretriz do
apocalipse.
Podemos encontrar essa definição na
famosa confissão de fé de Westminster.
“Não há outro Cabeça da Igreja senão o
Senhor Jesus Cristo; em sentido algum pode ser o Papa de Roma o cabeça
dela, mas ele é aquele anticristo, aquele homem do pecado e
filho da perdição que se exalta na Igreja contra Cristo e contra tudo o que se
chama Deus” (Confissão
de Fé de Westminster 1643 e 1649 – Sessão V).
Foi nessa época que, um padre jesuíta
Católico chamado: Luís de Alcázar (1554 - 1613) escreveu um livro
chamado: “Vestigio Arcani Sensus in Apocaplysi” ou “Investigação
do Sentido Oculto do Apocalipse”. Este livro foi publicado um ano após sua
morte. Sua visão a respeito do livro do apocalipse era:
Apocalipse do capítulo I ao XII se
referia à queda de Jerusalém.
Apocalipse do capítulo XIII ao XIX se
referia à conversão do império romano (Nesta visão ele defendia que Roma era a
Grande Meretriz).
Apocalipse no capítulo XX descreve as
perseguições finais do anticristo sendo ele: CEZAR NERO.
Apocalipse do capítulo XXI ao XXII
descreve o triunfo da nova Jerusalém que é a Santa Igreja Católica.
Luís de Alcázar nasceu em Sevilha e
foi ordenado em 1578.
Obs.: Ele não foi excomungado
por ser preterista e suas obras não foram condenadas pelo Santo Ofício.
Vejamos agora alguns comentários a
respeito do conteúdo do livro de Luís de Alcázar:
“Acima de tudo, é extraordinário o
livro: Vestigatio Arcani Sensus in Apocalypsi de Luís de Alcázar. Esse escritor
foi o primeiro a levar a cabo de forma consistente a ideia de que, o
apocalipse, em sua parte inicial, é dirigido contra o judaísmo, e, na segunda
parte, contra o paganismo, de modo que, no capítulo XII, lemos sobre a primeira
perseguição aos cristãos por parte do império romano, já no capítulo XIX, lemos
sobre a conversão final daquele império. Ele, assim, nos apresenta a primeira
tentativa séria de chegar a uma histórica e psicológica compreensão do livro. A
ideia elaborada por Alcázar já havia sido expresso por Hentenius (Exegeta
Dominicano) no prefácio de sua edição sobre Arethas de Cesareia” (Enciclopédia Bíblica: Um Dicionário
Crítico da História Literária, Política e Religiosa, p. 200 - Thomas Kelly
Cheyne).
"Um jesuíta espanhol de Sevilha
chamado Luís de Alcázar investiu quarenta anos de sua vida a esse estudo que
culminou em seu comentário de 900 páginas: Vestigatio Arcani Sensus in
Apocalypsi. Nessa obra que foi publicada depois de sua morte em 1614, Alcázar
fez uma nova tentativa – independentemente dos pontos de vista católicos e
protestantes –, de interpretar o apocalipse através o uso do método
histórico-crítico. Ele concluiu que, o apocalipse descreve a guerra
dupla da Igreja no primeiro século, uma contra a sinagoga judaica, e, outra
contra o paganismo, no qual, resultou na vitória sobre os dois adversários.
Alcázar tinha plena consciência de que, suas ideias divergiam de alguns dos
padres da Igreja” (Froom,
LeRoy Edwin. The Prophetic Faith of our Fathers, volume II, p. 509).
“Embora ele coloque o tempo de composição do apocalipse até o exílio de João sob o reinado de Domiciano, Alcázar ainda aplica o capítulo XI para os judeus, e claro, considera o livro como abraçando parcialmente o passado. [...] Pode-se esperar que este comentário, assim, libertou a igreja romana dos ataques protestantes e se tornou popular entre os defensores do papado. Alcázar teve clara aprovação e recepção geral entre a comunidade romana” (Stuart Moses – Commentary on the Apocalypse 1845, Volume I, p. 464).
Autor: Cristiano Macabeus.
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