25-10-2021
Sabendo que não há um dogma de fé e nem
consenso unânime entre santos, padre e doutores a respeito da interpretação do
apocalipse, a Santa Igreja Católica nos dá total liberdade para encontrarmos a
melhor interpretação a respeito da mensagem revelada por São João. Claro, não
podemos fazer como os protestantes, pois, os mesmos, se utilizam de
especulação, conjecturas e subterfúgios ao interpretar o apocalipse, devemos
encontrar a mensagem revelada através do conhecimento tácito e explícito sobre
o assunto.
O consenso unânime, assim como um dogma,
é proclamado pela própria Igreja através do seu Santo Magistério. Lembrando
que, nas palavras da própria Igreja: a opinião individual de um santo é
totalmente falível.
A respeito do consenso unânime:
Unanimidade (do latim unanimitate):
é a completa concordância por todos. Quando unânimes – todos
estão imbuídos do mesmo espírito e age conjuntamente como um todo
indiferenciado. Muitos grupos consideram decisões unânimes um sinal de concordância,
solidariedade e unidade.
“Quando os pais da igreja forem moralmente
unânimes em seu ensino de que uma determinada doutrina
é uma parte da revelação, ou é aceita pela igreja universal, ou que o
seu oposto é uma heresia, então seu testemunho conjunto é um determinado
critério de revelação divina. Não sendo os pais pessoalmente
infalíveis, o testemunho contrário de um ou de dois não seria
destrutivo ao valor do testemunho coletivo; basta uma simples unanimidade
moral” (Maryknoll Catholic Dictionary, pg. 154).
Novamente: quem define o que é consenso
unânime, é a própria Igreja, o consenso unânime não é definido por um canal do
youtube ou por um santo de modo individual e aleatório. A respeito do
apocalipse, a Santa Igreja Católica, através do se Santo Magistério, nunca se
pronunciou a respeito de um consenso unânime revelado, a não ser, quando tratou
como heresia o milenarismo.
Ainda falando sobre intepretação do
apocalipse, levando em consideração toda a diversidade de opiniões entre
santos, padres e doutore, podemos se utilizar de alguns métodos para, assim,
chegar, de forma racional, a melhor compreensão da mensagem revelada.
O principal método é: Exegese
Bíblica – que consiste em uma análise crítica do texto, estudo de
antecedentes históricos e culturais, investigação da origem do texto,
características gramaticais e sintáticas da obra original. Não se pode fazer
anacronismo, devemos entender a época em que o livro foi escrito, a cultura, no
qual, o livro foi inserido e a semântica das palavras no idioma de origem.
Junto da exegese bíblica vem: O
Método Histórico-Crítico.
Segundo: A PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA
- INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA NA IGREJA.
“O método histórico-crítico é o método
indispensável para o estudo científico do sentido dos textos antigos. Como a
Santa Escritura, enquanto Palavra de Deus em linguagem humana, foi composta por
autores humanos em todas as suas partes e todas as suas fontes, sua justa
compreensão não só admite como legítimo, mas pede a utilização deste
método”.
Os princípios fundamentais do método
histórico-crítico em sua forma clássica são os seguintes:
“E um método histórico, não só
porque ele se aplica a textos antigos — no caso, aqueles da Bíblia — e estuda
seu alcance histórico, mas também e, sobretudo, porque ele procura elucidar os
processos históricos de produção dos textos bíblicos, processos diacrônicos
algumas vezes complicados e de longa duração. Em suas diferentes etapas de
produção, os textos da Bíblia são dirigidos a diversas categorias de ouvintes
ou de leitores, que se encontravam em situações de tempo e de espaço
diferentes”.
Orientações principais: [RESSALVAS].
“Aplicando-se às suas tarefas, os
exegetas católicos devem levar em séria consideração o caráter
histórico da revelação bíblica. Pois os dois Testamentos exprimem
em palavras humanas, que levam a marca do tempo delas, a revelação histórica
que Deus fez, por diversos meios, dele mesmo e de seu piano de salvação.
Consequentemente, os exegetas devem se servir do método
histórico-crítico. Eles não podem, no entanto, atribuir-lhe
a exclusividade. Todos os métodos pertinentes de interpretação dos
textos são habilitados a dar sua contribuição à exegese da Bíblia”.
Por fim, não podemos execrar o
conhecimento científico e o avanço da tecnologia. Muitas das realidades vividas
durante a patrística e a escolástica não obtinham o conhecimento que temos
hoje. Muitas interpretações foram feitas segundo a realidade do momento, isto
pode ter causado alguns equívocos e ruídos no modo interpretativo durante
alguns séculos.
Pronunciamento da Santa Igreja a
respeito deste assunto - Sobre a ciência:
“A defesa acirrada das Sagradas
Escrituras, entretanto, não exige que sustentemos igualmente todas as opiniões
que cada um dos Padres ou os intérpretes mais recentes apresentaram ao
explicá-las, pois pode ser que, ao comentar sobre passagens onde ocorrem
questões físicas, eles algumas vezes expressaram as ideias de seus próprios
tempos, e assim, eles fizeram declarações que nestes dias foram abandonadas
como incorretas. Portanto, em suas interpretações, devemos
observar cuidadosamente o que eles declaram como pertencente à fé,
ou intimamente relacionado com a fé - em que
são unânimes. Pois, nas coisas que não estão sob a obrigação
da fé, os santos estão na liberdade de ter opiniões
divergentes, assim como nós, de acordo com a
declaração de São Tomás" (Papa
Leão XIII - Estudos Sobre as Sagradas Escrituras - Sessão: Autoridade das
Sagradas Escrituras; Crítica Moderna; Ciência Física - paragrafo 19 -
Providentissimus Deus, nov. 1893).
Somente desta forma podemos nos libertar
e libertar a Santa Igreja Católica das mentiras do apocalipse protestante.
Autor: Cristiano Macabeus.
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