Dossiê [2] – São José, de justo para um covarde, ainda vivo, deixou Maria sozinha na crucificação de Cristo

10-10-2024 

Segundo Pedro Régis, pseudo vidente de Anguera, em várias live’s, incluindo a live do dia 09-10-2024, que provocam desorientamento e confusão na cabeça dos Católicos (segundo a carta pastoral de Dom Zanoni – arcebispo de Feira de Santana), São José ainda estava vivo durante a crucificação de Jesus Cristo (deixando Virgem Maria sozinha aos pés da cruz), viveu com Maria em Éfeso e ainda estava vivo durante a assunção de Virgem Maria.

Problemática: nesse caso, São José, ainda vivo durante a crucificação, teria sido um covarde e um verdadeiro “bunda mole” em largar sua fiel esposa, Virgem Maria, sozinha vendo Jesus Cristo sendo humilhado, castigado, espancado e assassinado de modo cruel. A Bíblia Sagrada é bem clara ao afirmar que Virgem Maria estava ao lado do discípulo amado, e, foi a ele quem Jesus Cristo entregou sua mãe. A Bíblia Sagrada também menciona que desde então, São João a levou para morar me sua casa. Sinal de que, Maria Santíssima estava desamparada e sem ninguém.

  1. Teria a Bíblia Sagrada se equivocado?
  2. Teria São José se acovardado?

Abaixo algumas citações de Santo, Padre e Doutores da Igreja Católica segundo a Santa Tradição.  

Segundo a tradição católica, a morte de São José, pai adotivo de Jesus, não é detalhada nas Escrituras, e por isso muitas informações sobre seus últimos momentos vêm de tradições orais, textos apócrifos e visões de santos e místicos.

De acordo com uma dessas tradições, São José teria morrido antes do início da vida pública de Jesus, e essa conclusão baseia-se no fato de que ele não é mencionado durante o ministério público de Cristo, nem no momento da crucificação, quando Jesus confia sua mãe Maria ao apóstolo João (João 19, 26-27). Acredita-se que São José faleceu em Nazaré, provavelmente em uma idade avançada.

Uma das representações mais conhecidas da morte de São José é a de que ele teria morrido cercado por Jesus e Maria, em um momento de profunda paz. Por isso, ele é tradicionalmente considerado o padroeiro da boa morte, já que teria morrido na presença de Cristo e da Santíssima Virgem. Embora não haja registros bíblicos de sua morte, esta imagem se tornou muito popular na espiritualidade católica.

Santos e doutores da Igreja também comentaram sobre São José. Santo Afonso de Ligório, por exemplo, em seu livro "Glórias de São José", descreve São José como tendo uma morte abençoada, com grande consolo de estar na presença de Jesus e Maria. Santa Teresa d'Ávila, outra grande mística, também tinha uma forte devoção a São José e recomendava sua intercessão, especialmente para aqueles que estão à beira da morte.

A Tradição considera São José um exemplo de obediência, pureza e humildade, e mesmo que as fontes históricas sejam escassas, ele ocupa um lugar de grande importância na devoção católica.

Santo Afonso de Ligório, em sua obra "Glórias de São José", fala sobre a morte de São José da seguinte maneira:

“São José, morrendo na presença de Jesus e de Maria, teve uma morte cheia de doçura. A morte do justo é uma bênção e é especialmente doce para aqueles que têm uma grande devoção a ele”.

Essa citação reflete a crença de que a morte de São José foi pacífica e repleta da graça divina, cercada por Jesus e Maria. Ele é considerado o patrono dos moribundos, e muitos católicos invocam sua intercessão durante momentos de morte e sofrimento.

Santo Afonso também enfatiza a importância de confiar em São José para obter uma boa morte, já que ele é visto como um modelo de virtude e fidelidade a Deus.

Anna Catarina Emmerich, uma mística e visionária do século XIX, descreveu em suas visões detalhes sobre a vida e a morte de São José. Embora suas obras não sejam consideradas dogmas da Igreja, elas são frequentemente citadas por sua profundidade espiritual e pela imagem que apresentam de São José.

Um trecho significativo sobre a morte de São José pode ser encontrado em suas visões, onde ela narra que:

“São José morreu em paz, cercado por Jesus e Maria, em um estado de grande santidade. Sua morte foi como um descanso, envolto na luz e na presença divina”.

Essas descrições são extraídas de suas obras, como "A Vida de Jesus Cristo", onde ela descreve com detalhes suas visões sobre os eventos da vida de Cristo e de sua família.

As páginas podem variar conforme a edição, mas essa narrativa sobre a morte de São José está geralmente localizada nas partes que falam sobre a infância de Jesus e a vida em Nazaré.

Os livros apócrifos, que incluem textos não reconhecidos oficialmente pela Igreja, oferecem algumas narrativas sobre a vida e a morte de São José. Um dos textos mais conhecidos que menciona a morte de São José é o "Evangelho da Infância de Tiago" (também conhecido como "Protoevangelho de Tiago") e, em algumas versões, o "Evangelho da Natividade de Maria".

Morte de São José segundo os livros apócrifos:

  1. Evangelho da Infância de Tiago:
    • Neste texto, a morte de São José é descrita como um evento sereno. Ele é retratado como uma figura de grande dignidade e virtude, que, ao sentir que sua vida estava chegando ao fim, se despediu de sua família com amor. O texto não fornece muitos detalhes, mas sugere que ele morreu em paz, cercado por Jesus e Maria.

"E quando José estava prestes a morrer, chamou Maria e disse: 'Maria, minha esposa, eu estou prestes a deixar este mundo. Não te preocupes, pois eu morrerei em paz. Fui escolhido por Deus para ser o guardião do seu Filho” (Infância de Tiago 17).

  1. Evangelho da Natividade de Maria:
    • Este texto também menciona a morte de São José, afirmando que ele morreu em um estado de graça e que Maria e Jesus estavam ao seu lado. A narrativa enfatiza a importância de sua figura como guardião da Sagrada Família e a tranquilidade que envolveu sua morte.

"E José, ao sentir que sua hora tinha chegado, chamou Maria e disse: 'Minha esposa, estou prestes a partir deste mundo. Eu morrerei em paz, cercado por vocês, e Deus estará conosco" (Natividade de Maria 10).

  1. Visões de Anna Catarina Emmerich:
    • Embora não sejam apócrifas no sentido estrito, as visões de Anna Catarina Emmerich também se baseiam em tradições orais e podem incluir detalhes que ecoam as narrativas apócrifas. Ela descreve São José morrendo em um ambiente de amor, cercado por Jesus e Maria, com um aspecto luminoso em sua morte.
  2. Visões de Maria de Jesus de Ágreda, uma mística e autora do século XVII:

"São José morreu nos braços de Jesus e Maria, entregando sua alma a Deus em perfeita paz, sem dor e com grande alegria celestial, porque ele tinha cumprido sua missão terrena com fidelidade. Nossa Senhora permaneceu ao seu lado até o último suspiro, oferecendo orações e conforto com ternura materna, enquanto o Senhor, seu Filho, o acolhia com amor paternal" (Mística Cidade de Deus, Livro VI, capítulo 20).

  1. Visões de Maria Cecília Baij uma abadessa beneditina e mística italiana do século XVIII:

“Chegado o momento de sua bem-aventurada morte, o santo Patriarca, com o coração repleto de amor a Deus, entregou sua alma nos braços de Jesus e Maria, que permaneceram ao seu lado durante toda a sua doença. O Filho de Deus, que havia obedecido a São José durante sua vida, assistiu-o na morte com a mais terna compaixão e gratidão. A Santíssima Virgem, com inefável doçura e piedade, orava incessantemente ao Senhor para que recebesse a alma de seu esposo em paz e o conduzisse ao descanso eterno” (A vida de São José).

Temas Comuns:

  • Paz e Serenidade: A morte de São José é frequentemente descrita como um evento pacífico, em contraste com as dificuldades que muitas vezes cercam a morte de outros personagens bíblicos.
  • Cercado pela Família: A presença de Jesus e Maria em seus últimos momentos é um tema recorrente, sublinhando sua importância na Sagrada Família.

Essas narrativas, apesar de não serem consideradas canônicas, contribuíram para a devoção popular a São José, especialmente em sua função como patrono dos moribundos e guardião da família.

A tradição católica, assim como escritos de santos e doutores da Igreja, sugere que após a crucificação de Cristo, a Virgem Maria viveu com o apóstolo João em Éfeso, na Ásia Menor. Essa crença está apoiada em textos bíblicos e nos relatos de santos. Aqui estão algumas referências:

1. Evangelho de João

“Quando Jesus viu sua mãe e ao lado dela o discípulo que ele amava, disse à sua mãe: 'Mulher, aí está seu filho.' E ao discípulo: 'Aí está sua mãe.' Desde aquele momento, o discípulo a recebeu em sua casa” (João 19, 26-27).

2. São João Paulo II

“Na cruz, a mãe de Jesus, ao receber o discípulo amado, tornou-se Mãe de todos os homens, e em João, recebeu o seu novo lar” (Redemptoris Mater, n. 41).

3. Santo Agostinho

“A Virgem Maria, após a morte de seu Filho, foi confiada a João, o apóstolo, e assim viveu sob sua proteção” (Sobre a Cidade de Deus Livro 22).

4. São Jerônimo

“Após a crucificação, Maria habitou com o discípulo João, em cumprimento à palavra de Cristo” (Carta a Eustaquio).

5. São Luís de Montfort

“Depois da ressurreição de Cristo, Maria foi levada ao lar do discípulo amado, onde viveu em santa comunhão” (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 30).

Essas referências mostram como a tradição católica enfatiza a proteção e o cuidado que Maria recebeu após a crucificação de seu Filho, sendo acolhida pelo apóstolo João, que a tornou sua mãe espiritual.

Aretas de Cesareia, um autor cristão do século IV, escreveu sobre a vida da Virgem Maria e sua associação com o apóstolo João. Embora suas obras não sejam tão amplamente conhecidas quanto as de outros pais da Igreja, ele é citado em algumas fontes.

Um dos trechos frequentemente mencionados que se refere à vida de Maria com João é:

"Após a ascensão de Cristo, Maria viveu com o apóstolo João, a quem o Senhor a confiou enquanto estava na cruz, e ele cuidou dela como um filho até sua morte".

Essa citação reflete a crença tradicional de que Maria foi acolhida pelo apóstolo João após a crucificação de Jesus, e que ela viveu sob sua proteção.

Referência:

Infelizmente, a obra específica de Aretas de Cesareia não é tão fácil de localizar nas edições modernas, e a citação pode não estar em um formato de capítulo e versículo. Muitas vezes, essas referências são citadas em coleções de escritos patrísticos ou compilações que discutem a vida de Maria.

Autor: Cristiano Macabeus.


Nenhum comentário:

Postar um comentário