05-10-2024
Quando o
assunto é interpretação do apocalipse, essa pergunta se torna um grande
problema entre os exegetas escatológicos, principalmente, entre a ala
futurística e pré-tribulacionista. Muitas teorias são levantadas, muitos
argumentos são expostos, sem contar com os embustes, sofismas e “merchans”
protestantes, porém nada conclusivo. Existem duas principais datas, no qual,
exegetas – católicos e protestantes –, têm como provável e é aceita dentro da
interpretação escatológica.
A primeira hipótese
sobre a datação do apocalipse: o livro foi escrito por volta de 90 D.C. durante
o reinado de Domiciano, irmão de Titus Flavius e filho de Vespasiano. Essa
teoria é sustentada por alguns protestantes e católicos salettianos. Eles se
baseiam nos escritos de Santo Irineu e de outros padres católicos que
erroneamente, adotaram a teologia escatológica de Santo Irineu.
Obs.: Santo
Irineu era futurista e milenarista[1].
A segunda hipótese
sobre a datação do apocalipse: o livro foi escrito por volta de 50 D.C. – 64
D.C. durante o reinado de Cezar Nero. A linha mais conservadora do catolicismo,
assim como muitos protestantes preteristas, defende essa datação baseando-se em
vários escritos da patrística e nas palavras do próprio autor afirmando que
vivia durante o sexto reinado no momento, em que, o mesmo, escrevia o capítulo
XVII do apocalipse. Claramente, o sexto reinado vivido por São João era o
reinado de Vespasiano que sucedeu Cezar Nero depois da guerra civil[2] em Roma.
Particularmente,
eu acredito na segunda hipótese, pois faço parte de uma linha escatológica mais
racional. Infelizmente, a primeira hipótese é defendida por pentecostais,
judaizantes e salettianos que se utilizam do temor e da esperança, a fim de, sobrecarregar
o emocional particular de cada fiel com sofismas, embustes e heresias. Depois
dessa lavagem cerebral, fica fácil para esses grupos pregar o apocalipse
futurístico baseado nas mentiras do apocalipse protestante.
Os grupos que
acreditam na datação mais tardia, ou seja, por volta de 90 D.C., sustentam essa
teoria, expondo o pensamento se Santo Irineu a respeito do apocalipse. Por
exemplo:
“Não vamos, no entanto, incorrer no risco de se
pronunciar de forma positiva quanto ao nome do Anticristo, pois se fosse
necessário que seu nome deve ser claramente revelado neste momento, teria sido
anunciado por aquele que viu a visão apocalíptica. Porque foi visto num tempo
não muito longo desde então, mas quase em nossos dias, para o fim do reinado de
Domiciano”
(Santo Irineu, Contra Heresias, Capítulo V, Verso XX).
Existem duas
particularidades nesse texto de Santo Irineu que derruba totalmente a teoria futurística.
Primeiro – não
se sabe exatamente de quem Santo Irineu estava se referindo ao fazer esse
comentário: “Por que foi visto num tempo
não muito longo desde então, mas quase em nossos dias, para o fim do reinado de
Domiciano”. O que foi visto no final do reinado de Domiciano: a mensagem do
apocalipse ou o auto do livro do apocalipse?
Segundo –
Santo Irineu, assim como outros padres da igreja, não era revestido da
infalibilidade, pois como todos os outros padres da igreja, acertou, errou,
contribuiu, deu sua opinião e foi corrigido quando necessário. Ser obrigado a acreditar
que o livro do apocalipse foi escrito no reinado de Domiciano, – datação mais
tardia –, por causa da simples opinião de Santo Irineu, logicamente, teríamos
que acreditar no milenarismo, pois era uma doutrina defendida por Santo Irineu.
Euzébio de Cesareia, por exemplo, era contrário a heresia do milenarismo e as
ideias de Santo Irineu sobre ao autor do livro do apocalipse. Euzébio não
acreditava que o autor fosse São João filho de Zebedeu, já Santo Irineu
defendia essa tese. O que dizer da idade de Jesus Cristo? Segundo Santo Irineu,
Jesus Cristo foi crucificado com 50 anos.
“mas a idade de 30 anos é a primeira da mente
de um jovem, e que essa alcança até mesmo os quarenta anos, todo o mundo
concordará: mas após os quarenta e cinquenta anos, começa a se aproximar da
idade velha: na qual o nosso Senhor estava quando ensinou, como o Evangelho e
todos os Anciãos testemunham” (Citado em Before Jerusalem Fell, Kenneth L.
Gentry, p. 63).
Claro que eu
não estou retirando a credibilidade de Santo Irineu, longe disso! Mas havia
divergências teológicas a respeito do apocalipse durante a patrística. “Examinai tudo e retém o que é bom!”.
Certamente,
essa visão de Santo Irineu acabou levando outros padres da igreja, acreditarem
na datação mais tardia. Porém, outros padres da igreja defendiam que o
apocalipse teria sido escrito já no reinado de Cezar Nero.
Arethas, que
foi bispo de Cesareia, afirmava que São João escreveu o apocalipse em Éfeso, e
que tudo aconteceu 40 anos depois da morte e ressurreição de Jesus Cristo:
"Porque havia muitos, sim, uma incontável
multidão entre os judeus que acreditavam em Cristo, como eles mesmos disseram a
São Paulo em sua chegada a Jerusalém: ‘Tu vês irmão, quantos milhares de judeus
abraçaram a fé’. E aquele que deu esta revelação para o evangelista,
declara que estes homens não devem partilhar a destruição infligida pelos
romanos. Porque a ruína trazida pelos romanos, ainda não tinha caído sobre os
judeus quando este evangelista recebeu estas profecias. E ele não recebeu
em Jerusalém, mas em Iconia perto de Éfeso, porque depois do sofrimento do
Senhor, ele permaneceu apenas 14 anos em Jerusalém, durante os quais, recebeu a
mãe do Senhor que concebeu esta descendência divina, foi preservada nesta vida
temporal, após o sofrimento e ressurreição de seu Filho incorruptível. Porque
ele (João) continuou com ela sendo como sua mãe comprometida pelo Senhor.
Porque depois da sua morte, é relatado que ele não escolheu para permanecer na
Judeia, mas passou a Éfeso, onde, como já dissemos este Apocalipse
presente também foi composto, que é uma revelação das coisas
futuras, na medida em que, 40 anos depois da ascensão do Senhor, esta
tribulação veio sobre os judeus" (Arethas de Cesareia século VIII,
Comentários sobre Apocalipse).
Outro exemplo
é Epifanias, o mesmo afirma que, o apocalipse foi escrito no reinado de Cezar
Nero:
“O Apocalipse foi escrito em Cezar
Nero” (Epifanias
315-403, Heresias 51, 12).
Hermans, autor
do Cânon de Muratori, afirma que São João escreveu o apocalipse antes de São
Paulo escrever suas cartas apostólicas, e, São Paulo usou as REGRAS de São
João. Ou seja, quando São João escreveu o apocalipse, São Paulo ainda estava
vivo. Sabendo que, São Paulo foi martirizado durante o reinado de Cesar Nero:
"O bem-aventurado apóstolo
Paulo, seguindo a REGRA de seu antecessor, João, escreve a
não mais de sete igrejas pelo nome" (Cânon de Muratori -170 D.C.).
Tertuliano,
que caiu em heresias no final de sua vida, afirma que São João foi banido para
ilha de Patmos durante o reinado de Cezar Nero:
"Quão
feliz é a sua igreja, em que os apóstolos derramaram toda a sua doutrina,
juntamente com o seu sangue! Onde Pedro viveu a sua paixão como a do seu
Senhor; onde Paulo ganha sua coroa em uma morte como a de João Batista; onde
o apóstolo João pela primeira vez caiu ileso em óleo fervente, e daí,
foi banido para sua ilha de exílio" (Tertuliano, a prescrição contra
os hereges, trans. por Peter Holmes Vol. III, Os Padres Ante-Nicene, ed
Alexander Roberts e James Donaldson, Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing
Company, 1951; p. 260), I, 36.).
O que falar de
Santo Agostinho? O mesmo afirma que o mistério da iniquidade, no qual, São
Paulo descreveu em suas cartas, se tratava de Cezar Nero:
“O que significa a declaração que o
mistério da iniquidade já opera? […] Alguns supõem que isso seja dito da parte
do imperador romano, e, portanto, Paulo não falou em palavras claras,
porque ele não teria suportado a acusação de calúnia por ter falado o mal do
imperador romano, embora, ele sempre esperava que o que tinha dito seria
entendido como aplicação a Nero, cujas ações já pareciam com as do
Anticristo. Por isso, alguns suspeitaram que ele fosse ressurgir. Outros
conjeturavam que ele não morreu de verdade, mas, apenas se escondeu com a
intenção de parecer como morto e oculto enquanto vivia no vigor de sua idade.
Quando ele supostamente foi esquecido, pouco a pouco, ele seria revelado [2
Tes. 2: 6], e, restaurado ao seu reino” (Santo Agostinho - citado por
Moses Stuart no livro um comentário sobre o apocalipse pag 441 – ref: Civit.
Dei, XX. 19).
Não há duvidas
de que a datação do apocalipse, sempre divergiu os padres da igreja nos
primeiros séculos, alguns defendiam a datação mais tardia, outros defendiam a
datação mais prematura. Argumentos não faltaram para os Cristãos dos primeiros
séculos. Mas, o que diz o próprio autor do apocalipse? Vamos nos lembrar de
que, segundo os principais exegetas, o autor é São João filho de Zebedeu, e,
segundo o mesmo, naquele momento o anticristo já estava no mundo.
“Todo espírito que não proclama Jesus esse não
é de Deus, mas é o espírito do anticristo de cuja vinda tendes
ouvido, e já está agora no mundo” (I Carta de São João, Capítulo IV,
Verso III).
Esse texto já
nos esclarece muitas coisas a respeito desse assunto, mas, por incrível que
pareça, o próprio livro do apocalipse nos diz quando ele foi escrito. Observem
esse texto:
"Aqui se requer mente sábia. As sete
cabeças são sete colinas sobre as quais está sentada a mulher. São também sete
reis. Cinco já caíram, um ainda existe, e o outro ainda não surgiu; mas, quando
surgir, deverá permanecer durante pouco tempo. A besta que era, e agora não é,
é o oitavo rei. É um dos sete, e caminha para a perdição” (Apocalipse,
Capítulo XVII, Versos IX – XI).
Segundo o
autor, no momento em que, o mesmo escrevia o apocalipse XVII, ele estava
vivendo durante o sexto reinado, ou seja, cinco reis, dos quais, ele mesmo
menciona no livro do apocalipse, já não estava mais no poder. Agora fica a
pergunta: quem era o sexto reinado que São João vivia? Certamente, São João se
referia a Vespasiano que sucedeu Cezar Nero no império depois da guerra civil
em Roma por volta de 69 D.C. Simples, claro e objetivo.
Se o capítulo
dezessete foi escrito por volta de 69 D.C., podemos acreditar perfeitamente que
o livro começou a ser escrito durante o reinado de Cesar Nero que antecedeu
Vespasiano. Assim como afirmam vários padres da igreja.
Conclusão: aqueles
que defendem a datação mais tardia, ou seja, por volta de 90 D.C., são pessoas
embriagadas pelo vinho pentecostal, judaizante e salettiano. Essas pessoas
passaram acreditar em uma magia inexistente no livro do apocalipse, tratam o
livro como um jogo de tarô, e seus adeptos, veem os lideres dessas seitas como
verdadeiros cartomantes apocalípticos. Depois da lavagem cerebral, os leitores,
ligados a esses grupos, passam a ter o apocalipse como um livro futurístico e
enigmático, no qual, o livro tem que ser consultado a cada evento ou catástrofe
que acontece no planeta terra, seja a morte de um líder político ou um simples
terremoto. Com o emocional abalado, os leitores perdem totalmente a razão
durante a leitura do livro do apocalipse, jogando assim, na do lixo, textos
como esses, onde o próprio autor afirma estar vivendo as tribulações:
“Eu, João, vosso irmão e companheiro nas
tribulações, na realeza e na paciência em união com Jesus, estava na ilha de
Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus” (Apocalipse,
Capítulo I, Verso IX).
Também, os
mesmos, desacreditam totalmente das palavras de Jesus Cristo quando o mesmo afirma:
“Em verdade vos digo que não passará esta
geração sem que todas estas coisas aconteçam” (Evangelho de São Mateus, Capítulo
XXIV, Verso XXXIV).
Pessoas
racionais fazem uma exegese do livro do apocalipse se baseando na razão, jamais
deixará de se respaldar nas afirmações feitas pelo autor e pelo próprio Cristo
por causa de uma lavagem cerebral. Por esse motivo, a datação mais correta do
livro do apocalipse é a datação mais prematura. O livro foi escrito durante os
reinados de Cezar Nero e Vespasiano, e seus eventos se cumpriram durante a
destruição do templo de Jerusalém por volta de 72 D.C. Simples assim!
Autor:
Cristiano Macabeus.
Notas:
[1]
Milenarismo: heresia adotada por alguns padres da igreja entre o I e II século
e severamente combatida pela igreja entre o III e IV. Santo Agostinho foi um
dos principais doutores da igreja que expurgou essa heresia do meu Cristão.
Hoje, algumas seitas pentecostais e judaizantes recorrem a essa heresia na
tentativa de perseguir a única e verdadeira igreja de Cristo. Os milenaristas
acreditam que Jesus Cristo voltará para esse mundo (material) e reinará como um
governador único por mil anos.
[2] Entre os reinados de Cezar Nero e Vespasiano que foi entre 68 D.C. – 69 D.C. Roma passou por uma guerra civil. Três imperadores (Galba, Otão e Vitélio) assumiram o poder temporário do império, mas foram derrubados sem mesmo constituírem um reinado. A guerra terminou com a ascensão de Vespasiano ao poder dando inicio a dinastia Flavius.
Autor: Cristiano Macabeus.
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